Artigo: O que uma crise nos ensina

Reprodução/ iStock

Ninguém quer uma crise para administrar, mas é bom aceitar que quando a crise vem, não há escolha. Pessoas comuns, ao enfrentarem uma crise, geralmente lamentam e esperam que alguém a resolva por elas, mas líderes têm a obrigação de não tornar as coisas piores e encontrar uma saída, afinal, alguém tem que conduzir o barco durante as tempestades. Qualquer crise exige ação rápida, mas ação baseada em sabedoria e não em desespero.

Crises vêm e aparecem de todos os lados quando menos se espera e em qualquer contexto: empresarial, natural, financeiro, pessoal, esportivo, político e econômico.

Nosso País é um ambiente profícuo para crises, mas o mundo também; eu entendo a construção da história humana como uma sucessão de crises.

Não vou comentar a situação do Brasil nem de um país específico, mas afirmo que em qualquer situação, somente uma boa liderança consegue administrar bem uma crise.

Líderes sábios e bem intencionados levam as pessoas em segurança para fora de uma situação de crise.

Não vamos nos iludir, uma crise não acaba por si mesma, ela só piora se ninguém faz nada. Esta talvez seja a parte mais difícil de lidar com ela, pois as pessoas têm uma tendência natural a esperarem o olho do furacão a passar. É por isso que há necessidade de alguém que tome a liderança e aja tempestivamente, mas baseado em valores compartilhados e não em objetivos egoístas.

Há algum tempo, uma empresa que conheço bem vem passando por várias dificuldades. A soma delas já caracteriza uma crise com impactos financeiros graves.Até agora, todos estão esperando tempos melhores chegarem e a situação só piora.

Não precisamos ser videntes para saber que se as medidas que precisam se tomadas hoje não forem adotadas, mais tarde será muito mais difícil. O remédio amargo de hoje, torna-se intragável amanhã.

A crise precisa ser enfrentada de imediato e com as ações adequadas, mas o que vemos são dois tipos básicos de líderes: os que subestimam a crise e por isso tomam medidas inócuas ou não as tomam, e os que a superestimam e, portanto, exageram as ações. Ambos os tipos são nocivos. É necessário ser preciso e equilibrado nessas horas.

Outra situação comum é esperar que alguém faça todo o trabalho. Isto também não existe, pois uma crise exige ação de todos os envolvidos e uma liderança sábia compreende que precisa das pessoas para encontrar, juntos, uma solução que só poderá também ser implantada de maneira conjunta. Administrada dessa forma, uma crise pode trazer algum aprendizado valioso e nos levar a um crescimento, ou seja, nem tudo é ruim em uma crise. Destacarei alguns pontos que julgo cruciais para que uma crise não seja um tempo perdido.

Crises nos fazem ver e enfrentar a verdade, pois elas revelam inequivocamente o que é importante e o que não é. Elas mostram também nossos reais valores, nossa fé e nossa força. Após uma crise, vemos do que realmente somos capazes. Ela é uma boa professora, porque nos ensina também o que funciona e o que não funciona.

Inicialmente, as crises separam as pessoas, mas depois nos fazem entender que nossa força está na comunidade, no trabalho em equipe e na confiança mútua. Na grande maioria das vezes, a crise separa o joio do trigo e saímos dela mais preparados, pois as situações críticas agem como um acelerador da evolução. Crises impõem ação em busca de uma solução produtiva, claro que isto implica em tempo, mudança, persistência, colaboração, criatividade e trabalho. Mas não são justamente essas coisas que nos fazem melhores?

Crises, portanto, nos dão oportunidades de sermos melhores. Um amigo recentemente sofreu um sério revés em sua saúde que o forçou a uma mudança radical em seu estilo de vida, era isso ou contar os dias para embarcar em uma viagem sem volta. Ele não conseguia alcançar os resultados necessários sozinhos e até contratou um personal trainer para ajudá-lo. Segundo ele, foram meses sem diversão nem prazer, quase um ano de inferno, mas hoje ele diz com orgulho que perdeu quase cem quilos, virou atleta de pequenas maratonas e já tem uma expectativa de vida de pelo menos mais quarenta anos. A crise lhe ensinou que a vida pode ser mais saudável, produtiva e vibrante.

Depois de uma crise, muitas famílias se unem mais, melhoram o relacionamento, aprendem regras de convivência que as tornam mais salutares e felizes. A mesma coisa acontece em países, vejamos apenas o caso do Japão após a segunda guerra mundial.

Enfim, crises são boas para nos despertar a consciência e nos fazer agir. Espero sinceramente que todas as crises que vimos passando há décadas, como nação, estejam nos ensinando a sermos brasileiros melhores. Minha esperança é que as crises recentes nos deem inspiração, direção e confiança para finalmente deixarmos de ser o país do futuro e nos tornarmos o país do presente!

João Pinheiro de Barros Neto – Administrador, doutor em Sociologia e professor do MBA Executivo em Liderança e Gestão Organizacional.

Post publicado no Portal Administradores por João Pinheiro de Barros Neto.

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