Fazendo sopas de pedra

Fazendo sopas de pedra

Divulgação
Você já fez sua sopa de pedra?

“Você consegue fazer sopa de pedra”, disseram-me muitas vezes ao longo de minha vida. Ao refletir sobre seu significado, resolvi pesquisar os fundamentos, as origens dessa expressão. E foi assim que me deparei com uma lenda fascinante, uma analogia precisa e poderosa de toda minha experiência profissional. A lenda também expressa os princípios e conceitos utilizados por pessoas que se destacaram devido à sua habilidade de transformar ideias em negócios de sucesso, convertendo as dificuldades do caminho em êxitos e conquistas.

Cansado e faminto, após ter andado por muitos dias, ele chegou a uma aldeia pequena e muito pobre, onde decidiu descansar à beira da estrada. O monge, então, acendeu uma fogueira e colocou sobre ela um pote que sempre levava consigo. Depois, foi até o poço da aldeia e de lá retirou água para encher o pote. Quando a água começou a ferver, colocou uma pedra dentro, sentou-se no chão e ficou tranquilamente observando o fogo.

Os habitantes da aldeia aproximaram-se, intrigados com a curiosa atitude do forasteiro. Estaria ele fazendo sopa apenas com água e uma pedra? Depois de olhá-lo por algum tempo, os aldeões resolveram puxar conversa.

O monge mostrou-se muito sereno e amigável. Começou a falar sobre suas andanças, sobre os lugares que conhecera, os países que visitara, as lições que aprendera no caminho. Em pouco tempo, uma pequena multidão havia se formado a seu redor.

Finalmente, um garoto resolveu fazer ao monge a pergunta que todos queriam fazer:

— Por que o senhor está cozinhando uma pedra? — inquiriu o jovem, com certa timidez.
— Porque essa é minha refeição. Estou fazendo uma sopa de pedra.
— Mas só com água e uma pedra? Vai ficar sem gosto… Espere aí, eu ainda tenho um pouco de repolho que sobrou de ontem. Vou buscar para colocar na sopa — disse uma velha senhora.
— E eu tenho algumas cenouras. Vai deixar a sopa mais colorida — disse uma mulher.
— Acho que tenho uma ou duas batatas… Vou buscar já — falou um homem.
— Um pouco de sal com certeza não vai fazer mal — acrescentou outro aldeão.

E assim, um a um, todos os habitantes da aldeia lembraram-se de algo que poderiam oferecer para adicionar à sopa, que ficou muito saborosa e nutritiva. O monge, então, os convidou para compartilhar sua refeição. Todos comeram, riram e contaram histórias, pensando que há muito tempo não tinham uma refeição como aquela.

Ao cair da noite, os aldeões voltaram para suas casas e o monge continuou sua jornada. Mas aquelas pessoas jamais o esqueceram. De tempos em tempos, reuniam-se em torno de uma fogueira para fazer uma boa sopa de pedra e relembrar as histórias do monge. Os habitantes das cidades ao redor espantavam-se ao ver como aquela pequena aldeia havia se tornado próspera, e perguntavam-se qual seria o segredo de seus moradores, que eram vistos rindo e comendo em torno de uma fogueira, mesmo nas épocas de escassez.

Impressionado com a “fórmula da prosperidade” contida na lenda, comecei a utilizá-la em minhas palestras. E mais: para dar aos participantes das palestras um símbolo que representasse tudo isso, criei uma lata contendo algumas pedras dentro, envolta em um rótulo que a identifica como Sopa de Pedra (imagem que abre este artigo). Além de expressar os conceitos da lenda, a lata é também uma referência ao tempo em que vivemos, uma espécie de ícone de nossa era (basta lembrar a célebre imagem da lata de sopa criada por Andy Warhol), uma alusão ao progresso, ao desenvolvimento e ao engenho humano. Por meio desse símbolo, uma lenda que remonta a épocas remotas expressa sua atualidade e utilidade para o homem de hoje. Desnecessário dizer que foi um sucesso total.

Logo percebi que as lições contidas nessa lenda poderiam também oferecer novos insights e perspectivas para questões básicas de nossa existência: a busca da verdadeira prosperidade, da qual a riqueza é apenas um aspecto, a superação dos desafios, a transformação de obstáculos aparentemente intransponíveis em êxitos e conquistas. Ao refletir sobre a metáfora da sopa de pedra, percebi que poderia extrair dela dez “ingredientes”, dez fatores fundamentais para “cozinhar a sopa”, ou seja, para vencer as dificuldades e impedimentos representados pelas pedras e alcançar o sucesso, revertendo essas dificuldades em “alimento” — a sopa que representa a prosperidade, a realização, a superação dos limites e a energia motivadora para enfrentar novos desafios.

Também percebi que os princípios da lenda iam ao encontro da filosofia budista que sempre procurei aplicar em minha vida, e que uma coisa complementava a outra. Quem acha que o mundo dos negócios e o budismo são incompatíveis está se baseando em opiniões preconcebidas a respeito de ambos. O mundo dos negócios não precisa ser, obrigatoriamente, uma selva, um ambiente no qual a ganância impera e quem não devora é devorado, e onde a única lei é “matar ou morrer” — e minha trajetória, bem como a de muitas outras pessoas bem-sucedidas, é prova disso.

Por outro lado, o budismo também não é um modo de vida utópico, restrito a alguns poucos monges que conseguem viver isolados do “mundo real”. Na verdade, é o oposto. O budismo enfatiza a prática acima de tudo e em todas as circunstâncias. E prática não significa apenas frequentar um templo e meditar. Significa utilizar preceitos como equilíbrio interno e respeito para com os demais em todas as nossas atividades cotidianas. Isso é muito bem resumido pelo filósofo e psicólogo Albert Low, diretor do Zen Centre de Montreal, no Canadá. Em seu livro An Invitation to Practice Zen, ele diz: “Quantidade alguma de teoria jamais poderá substituir alguns minutos de prática.” Em A Euforia Perpétua, o romancista e ensaísta Pascal Bruckner complementa: “O mestre budista, como o mestre antigo, é antes de tudo um mestre da vida. Não profere nada que não tenha experimentado ele mesmo, alimentando seu ensinamento na fonte viva da experiência.”

Minha intenção é, portanto, utilizar alguns princípios dessa sabedoria milenar para ajudar os leitores que buscam o equilíbrio interior, a prosperidade e o sucesso, independente de suas crenças ou de sua religião. 

E, por falar em sucesso, veja o vídeo abaixo: 

 

Post publicado no Portal Administradores por Ricardo Bellino.

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