As distorções na gestão do FGTS

A gestão dos recursos do FGTS pelo governo é um saco de gatos. A remuneração de juros do dinheiro do trabalhador é de 3% ao ano, metade do rendimento médio da poupança, em torno de 6% ao ano. Além disso, as empresas continuam obrigadas a depositar 50% de multa rescisória, quando o funcionário é demitido sem justa causa, enquanto ao trabalhador são repassados 40%.

Os 10% adicionais foram criados em 2001, em virtude de débitos passados para recomposição dos planos Verão e Collor, conforme decisão judicial. O Senado aprovou a extinção a partir de 01 de junho de 2013, reconhecendo que não havia mais motivos que sustentassem sua manutenção. A presidente Dilma Rousseff, entretanto, vetou a medida alegando desequilíbrio das contas públicas, uma vez que seu reflexo traria um rombo de R$ 3 bilhões aos cofres públicos.

Aqui vale lembrar que a última parcela das diferenças relacionadas aos planos econômicos foram pagas em janeiro de 2007.

Muitas empresas já estão impetrando recursos para extinguir a obrigatoriedade do adicional e pedindo o ressarcimento do excedente pago sobre as demissões sem justa causa.

Mas os absurdos não param por aí. Os recursos do FGTS são utilizados para o Projeto Minha Casa, Minha Vida que, para o governo, tem como principais beneficiários os trabalhadores inscritos no sistema fundiário através das possibilidades de desconto criadas no financiamento. Estes, porém, foram inflados antes de tal desconto pelos aumentos contínuos dos valores relacionados aos imóveis vinculados ao créditos imobiliários dentro do projeto. Ou seja, o benefício virou malefício.

Os recursos administrados pela Caixa Econômica Federal são significativos e fomentam a contrução civil. Entretanto, retornam para o sistema fundiário, gerando lucros significativos na conta. Mas o que o governo não diz é que a composição desses valores se dá pela contribuição da própria classe trabalhadores, que não recebe a devida remuneração na outra ponta.
Há um projeto de lei de autoria da senadora Marta Suplicy (PT-SP) que determina a distribuição de lucro do sistema fundiário aos trabalhadores. Mesmo com a pressão das centrais sindicais, o caso caiu no esquecimento e a cada dia se descobre novas obras e projetos se beneficiando do fundo, ainda que não esteja dentro de seu escopo.

A má gestão do FGTS parece não ter fim, causando prejuízos descabidos a todos os lados, inclusive ao próprio sistema. Começam a surgir agora processos que visam a atualização monetária dos recursos dos trabalhadores. Ou seja, além dos 3% de juros, o dinheiro depositado no fundo deve ser atualizado de acordo com os índices de inflação. De acordo com cálculos elaborados por associações e advogados, a perda pode chegar a 99,71% no período de julho de 2009 a fevereiro de 2014. Muitos sindicatos já estão impetrando ações para que haja a recuperação e a mudança dos indexadores, inclusive para aqueles que resgataram o valor.

A preocupação agora é tentar garantir o direito de ressarcimento das perdas de forma individual ou coletiva. A justiça do Rio Grande do Sul preparou um programa (http://www2.jfrs.jus.br/?p=9581) e o disponibilizou em sua página para o cálculo dos possíveis valores a serem recuperados. Por exigência da Justica, a Caixa Econômica Federal também disponibilizou, através do seu portal, todos os extratos de FGTS, de forma detalhada, para facilitar a montagem dos processos (https://sisgr.caixa.gov.br/portal/internet.do?segmento=CIDADAO&produto=FGTS).

 

Post publicado no Portal Administradores pelo Reginaldo Gonçalves.

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O que podemos aprender com a venda da WhatsApp?

Não temos bola de cristal e não somos capazes de prever sequer as nossas próprias reações ou percepções, pois temos a incrível capacidade de mudarmos de ideia, privilégio de seres inteligentes. Como não temos o controle de tudo que nos cerca, fatalmente seremos surpreendidos muitas vezes em nossas vidas. Às vezes, surpreendidos positivamente. Em outras ocasiões, negativamente. Vivemos e corremos o risco de sermos rejeitados, traídos, passados para trás. Como reagir às surpresas negativas da vida? Certamente, essas reações determinam caminhos que tomaremos, escolhas que faremos e, por consequência, nossos resultados. Nossas emoções são constantemente testadas pelas surpresas da vida e seguimos caminhando, seja evoluindo ou ficando estagnados.

 

A vida é uma maratona e não uma corrida de 100 metros rasos. Numa maratona, não é quem sai correndo na frente que vence no final. Ao longo dos mais de 40 quilômetros da competição, muita coisa acontece e quem tem mais resistência é quem sobe no lugar mais alto do pódio. Essa resistência – no caso da vida, uma resistência emocional – vai determinar se mergulharemos no mar da autopiedade ou se usaremos as adversidades como motor de popa para navegarmos pelo oceano da vitória.

 

Este foi o caso do americano Brian Actonum dos fundadores do WhatsApp. Em maio de 2009, ele fez este post no Twitter:

Screen Shot 2014-02-20 at 10.01.02 AM

A tradução é: “Fui rejeitado no Twitter. Tudo bem. Teria sido uma longa jornada”.

Acton, que desejava arrumar um emprego como programador no Twitter, não foi selecionado, mas por sua mensagem demonstrou que não ficou abatido. A prova disso é que, em agosto, também participou de um processo seletivo para trabalhar no Facebook. Veja o resultado abaixo:

Screen Shot 2014-02-20 at 10.01.09 AM

 

O Facebook também o rejeitou, e sua reação também demonstrou resiliência: “Foi uma grande oportunidade de me conectar com pessoas fantásticas. Estou na expectativa da próxima aventura”. Ele estava se referindo primeiramente às pessoas que conheceu no processo seletivo, mas deixa a pista: “na expectativa da próxima aventura”. No mesmo ano, em 2009, em parceria com o ucraniano Jam Koum, Brian Acton fundou o WhatsApp. Uma ideia simples, mas que em apenas 5 anos conquistou mais de 450 milhões de usuários ativos em todo o mundo, aplicativo responsável por um número total de mensagens praticamente igual ao somatório das mensagens SMS enviadas no planeta.

 

Os acionistas do WhatsApp embolsaram 19 bilhões de dólares, sendo 4 bilhões em dinheiro, 12 bilhões em ações do Facebook e mais 3 bilhões em ações restritas nos próximos 4 anos. Com isso, o rejeitado Brian Acton volta agora ao Facebook, dessa vez como acionista e como protagonista da maior aquisição da história feita pelo Facebook. E, claro, como mais um bilionário do mundo da tecnologia.

 

A vida definitivamente não é uma corrida de 100 metros rasos, mas sim uma maratona.

 

Post publicado no blog Geração de Valor pelo Flávio Augusto.

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