A periferia é para os fortes

A periferia é para os fortes

Hoje, 8h da manhã no Brasil. Há alguns anos, neste mesmo horário eu já estava em minha saga diária, depois de duas horas no trânsito da avenida Brasil, dando um duro dentro de um ônibus lotado, para poder chegar ao Centro do Rio de Janeiro de igual para igual com um playboyzinho que saiu de casa 15 minutos antes para pegar o metrô com ar-condicionado.

Dormia 2 horas a menos e, à noite, depois do trabalho, também tinha duas horas a menos com a família, amigos ou para desenvolver outras atividades. Essas 4 horas dentro de transportes coletivos de massa, com a péssima qualidade que sempre tiveram, podem ser consideradas uma desvantagem social competitiva?

É claro que sim. É uma desvantagem social competitiva, é uma barreira a mais que as milhões de pessoas que todos os dias saem da periferia para os grandes centros para trabalhar precisam superar. Essa massa enorme de gente é tratada com desprezo, como rolezeiros, adeptos do funk, gente desqualificada, sem futuro e condenada à mediocridade.

Quem disse que a sociedade é justa? Quem disse que o governo tem alguma preocupação com os jovens da periferia? Observe que estou falando do transporte público de 23 anos atrás. Ele melhorou hoje? Absolutamente, não. É tão ruim quanto era, com o agravante do número de carros nas ruas, que quase triplicou.

Agora, para você da periferia que gosta de se fazer de coitado, eu quero dizer uma coisa: o fato de a sociedade ser injusta e você ter que matar 10 leões a mais que os mais privilegiados não lhe torna alguém inferior, alguém que não deve sonhar grande ou parte de uma sub-raça de mal educados e fadados a comer as migalhas dessa sociedade hipócrita.

Você não é do tipo que soltou pipa no ventilador e nem jogou bola de gude no carpete. Desde cedo, você aprendeu a depender apenas de si dentro de uma escola pública e a se garantir na selva de pedra da periferia. A vida também pode sorrir para você e, nessa hora, o mundo vai se curvar à sua competência e determinação para superar tudo isso sem ter permitido que sua autoestima fosse afetada. Nessa hora, o sistema que desprezou você vai começar a puxar seu saco, vai lhe dar tapinhas nas costas para ter você como cliente especial. Mas não se iluda com isso e nem se contamine com essa hipocrisia. Você não é especial por causa de sua nova condição financeira.

Sabe quando você foi especial? Quando você estava amassado dentro do ônibus cheio. Naquele momento crítico, em vez de usar seu tempo para reclamar da vida, você sonhou, enquanto cruzava a cidade de pé, mesmo imprensado. Você tomou a decisão de mudar de vida, de estudar, de trabalhar, de empreender suas vendas, de se dispor a empregar um esforço extra para mudar de vida.

Você não é especial depois que virou o jogo. Você tem a chance de ser especial no meio do caos, da adversidade e quando todos lhe olham com desprezo. É em momentos como esses que os grandes vencedores mostram seu valor.

A você da periferia, onde nasci, fui criado e conheço bem cada detalhe desta história, deixo registrado todo o meu respeito. Você é um campeão, você tem valor. Portanto, seja forte, não se contamine com o negativismo e acredite que você é capaz de virar o jogo. Quando isso acontecer, nunca deixe de lado sua essência e tenha orgulho de onde você veio, pois esse é um atestado vivo de seu mérito.

 

Post publicado no blog Geração de Valor pelo Flávio Augusto.

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