A evolução é uma tendência?

A evolução é uma tendência?

Acho que li isso em um comentário no LinkedIn: “A evolução é uma tendência!”. 

Parece uma afirmação perfeitamente normal e aceitável se analisada superficialmente. Em uma segunda observação, e esta sim bem detalhada, me surpreendi com o resultado.

Quando comecei a estudar a gestão, a aproximadamente 6 anos dos meus 17 de carreira, e ler material relacionado, ouvi falar muito sobre inovação. Era a palavra de ordem para o momento.

Muitos pensadores teorizaram, consultaram, falaram e viveram a inovação com todos os benefícios que ela traria a todas as organizações – de forma ampla e irrestrita.

Mesmo com todas as mentes mais brilhantes desta época à disposição para nos dirigir pelos caminhos dourados da inovação, alguns prosperaram e, como já era de se esperar, muitos sucumbiram.

Ao atingirmos esse patamar e percebermos que o sucesso não era exatamente retumbante, nos obrigamos a olhar em volta, entender o cenário e repensar.

Identificamos com facilidade a alta concorrência nos diversos níveis da cadeia alimentar desse nosso ecossistema capitalista –  sem sombra de dúvida um fator que não poderíamos ignorar – alternando escassez para uns e a abundância para outros, numa volatilidade comandada pelas novidades tecnológicas. Observamos a criação e o desaparecimento de mercados consumidores quase que por um passe de mágica.

Houveram também as grandes catástrofes naturais provocadas pelo despencar meteórico de economias de países desenvolvidos, que provocaram a reformulação de cenários, o declínio de grandes predadores (ou players) e jogaram tanta sujeira na atmosfera que eclipsaram nosso globo econômico, tornando os recursos muito mais escassos e agravando a crise no velho mundo.

Surgiram novas espécies dominantes, aparentemente mais frágeis, mais adaptáveis, com cérebros maiores e mais ágeis dos que os antigos gigantes, que curiosamente ainda os chamam de países em desenvolvimento.

Se olharmos para o passado, mais precisamente no final do período cretáceo da era mesozoica, a 65 milhões de anos atrás, a natureza nos propiciava um cenário bastante similar.

A resposta para continuar sobrevivendo era evoluir. A necessidade levava à evolução. Evoluir significava permanecer e, até mesmo, conquistar uma posição de destaque ou privilegiada dentro do ecossistema.

A natureza sabe a resposta e nós, parece que finalmente começamos a enxergá-la.

Mas não basta dizer que evolução é uma tendência. Quando fazemos uma referencia como esta, dá a impressão de que trata-se de uma questão optativa quando na verdade, é essencial.

A verdadeira tendência é repetir em micro sistemas o que a natureza promove no macro sistema. Evoluir é sobreviver, é se destacar. Aqueles que não evoluem, acabam extintos e não deixam descendentes. Servem apenas de referencia genética para os campões que continuam evoluindo.

Como disse  Dr. Gary P. Hamel no fórum HSM de Inovação de 2010 em São Paulo, investir demais naquilo que já está estabelecido não gera crescimento. Eu acrescentaria que não faz evoluir e pode provocar a extinção. Cito como exemplo o caso recente da Nokia, que foi um grande líder de mercado por anos a fio.

Assim como ocorre no macro, ocorre no micro. Na natureza, quando finalmente os gigantes resolveram evoluir e adaptaram seus corpos, a única característica que persistiu foi o tamanho do cérebro, ou melhor, o cérebro de passarinho. 

Cuidado para demorar a aderir a essa “tendência” ou você pode passar milhares de anos comendo minhoca (sem desprezar o poder nutricional do alimento).

 

Post publicado no Portal Administradores pelo Jader Simões.

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