Qualidade de vida no trabalho

Qualidade de vida no trabalho

O homem era tratado apenas como mais uma engrenagem das máquinas que produziam e geravam lucros para o empregador, com as mudanças tecnológicas do final do século XX as pessoas passaram a ter um lugar de destaque nas organizações, devido à substituição do trabalho braçal pelo intelectual (BREDA; LAZZAROTTO; SÔTEL, 2006).

Desta forma, a preocupação com a qualidade de vida nas organizações passou a ser mais evidenciada, os autores definem qualidade de vida como “o estado de felicidade da pessoa, com o nível alcançado na realização das suas expectativas e plano de vida, e com o grau de controle que exerce sobre sua vida que é um componente individual e subjetivo” (IDEM, 2006, p. 30), ou seja, cada pessoa tem uma concepção do que é qualidade de vida, pois isto depende das expectativas e do projeto de vida de cada um, o que é bom para uma pessoa, pode ser ruim para outra (MENDES; LEITE 2012).

As pessoas passam a maior parte da sua vida trabalhando e buscando através dele suas melhores conquistas, isto exemplifica a importância do trabalho para a saúde das pessoas, “e consequentemente o reflexo disso sobre a qualidade de vida no trabalho e no desempenho profissional” (SILVA, 1997 apud BREDA; LAZZAROTTO; SÔTEL, 2006, p. 29).

Mudanças no ambiente de trabalho podem gerar impactos negativos ou positivos na qualidade de vida dos colaboradores (MENDES; LEITE, 2012), alguns problemas de saúde ocupacional que afetam a vida do trabalhador são a síndrome do estresse, síndrome de burnout, LER/DORT, depressão, alcoolismo, tabagismo, drogas, entre outros (KOPS; SILVA; ROMERO, 2013), por isto, as empresas precisam promover boas condições de trabalho.

“Quaisquer danos à saúde do trabalhador, causados ou agravados por fatores de risco presentes nos locais de trabalho, são considerados como doenças do trabalho. […] Quando são localizados e mapeados todos os riscos que podem afetar o desenvolvimento de uma atividade, torna-se mais fácil seu controle e a eliminação. Isto resultará no aumento do lucro real, em decorrência da redução das perdas, sejam elas humanas, de produtos ou em equipamentos” (BREDA; LAZZAROTTO; SÔTEL, 2006, p. 26).

Alguns indicadores da má qualidade de vida são a sobrecarga de trabalho, esgotamento físico e mental, conflitos, poucas perspectivas de progresso, falta de autonomia, pressões, fatores ambientais inadequados e insalubres, quebra das expectativas em relação ao contrato psicológico, insatisfação com o trabalho, compensação injusta, condições de trabalho ruins, falta de incentivo ao desenvolvimento de competências, problemas com sono, falta de segurança, falta de apoio social, negligência em relação aos direitos do trabalhador, irrelevância social do trabalho (KOPS; SILVA; ROMERO, 2013).

De acordo com os autores a manutenção da qualidade de vida no trabalho depende simultaneamente da empresa e dos colaboradores, sendo a primeira responsável por promover e garantir a saúde, segurança (física, mental e social), e capacitação para que os colaboradores possam realizar suas tarefas com bom uso da energia pessoalPara isto existem programas de QVT que visam conscientizar os colaboradores através de workshops e ações pontuais com temas ligados a saúde, comportamento e bem-estar, estes itens contribuem para que os colaboradores se sintam bem e comprometidos com os objetivos da organização, os programas mais conhecidos são o PPRA (programa de prevenção de riscos ambientais) e PCMSO (programa de controle médico e saúde ocupacional).

“É possível afirmar que tanto as pessoas como as organizações precisam de certo grau de estresse para seu funcionamento. No entanto, se a pressão sobre elas é muito intensa ou o oposto, o resultado é o desempenho insuficiente. O desequilíbrio da saúde profissional traz consequências para a produtividade” (KOPS; SILVA; ROMERO, 2013, p. 144).

As empresas que não se preocupam com o nível de distresse e seus impactos na qualidade de vida dos seus colaboradores, sofrerão com prejuízos financeiros devido acidentes de trabalho, absenteísmo, alta rotatividade, afastamentos, assistência médica, baixo compromisso organizacional, violência no local de trabalho, baixa qualidade de produtos e serviços, conflitos interpessoais, processos de recrutamento e seleção para repor colaboradores, negativação da imagem de eficiência da empresa perante os clientes, entre outros, podendo impactar na sobrevivência da empresa diante do mercado (PEREIRA, A. 2002).

REFERÊNCIAS

BREDA, Glaucia Ritter, LAZZAROTTO, Elizabeth Maria, SÔTEL, Meire Carreira. Qualidade de vida, saúde e trabalho. Cascavel: Coluna do Saber, 2006, p. 22-35.

KOPS, Lúcia Maria, SILVA, Selma França da Costa e, ROMERO, Sonia Mara Thater. Gestão de pessoas: conceitos e estratégias. Curitiba: Intersaberes, 2013, p. 139-155.

MENDES, Ricardo Alves, LEITE, Neiva. Ginástica Laboral: princípios e aplicações práticas. 3ª ed. rev. atual. São Paulo: Manole, 2012, p. 137-147, 170-176.

PEREIRA, Ana Maria T. Benevides et. al. Burnout: Quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador. São Paulo: Casa do psicólogo, 2002, p. 21-50, 69.

 

Post publicado no Portal Administradores pela Marcia Mantovani

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