Nem todo empresário é empreendedor

Nem todo empresário é empreendedor

De modo geral, podemos analisar o termo empreendedorismo a partir de duas visões, que são distintas em aspectos importantes, mas não excludentes. A primeira refere-se ao sujeito que abre uma nova empresa. Neste caso, a iniciativa está associada muito mais às questões de desenvolvimento econômico nacional ou regional. Já a segunda, e talvez a que deva ser mais estimulada, é a visão empreendedora como atitude de qualquer indivíduo.

Hoje, as faculdades e universidades, em especial os cursos de administração, possuem um foco especial na visão empreendedora, que caracterizou o desenvolvimento econômico norte-americano, entre as décadas de 60 e 80. Em menor escala, este desenvolvimento também ocorreu na Europa e no Oriente, no final dos anos 80 e início dos anos 90. Trata-se do caráter de inovação como ponto fundamental para o empreendedorismo.

Deste modo, evidenciamos o ato de empreender como qualquer iniciativa que resulte em inovação, seja no processo administrativo, de mercado, de produto ou serviço. Esta visão de que empreendedorismo e inovação caminham juntos foi a responsável por diferenciar qualquer lanchonete que fazia hambúrgueres do McDonald’s, ou ainda, qualquer bar ou cafeteria da Starbuck’s.

Abrir um negócio próprio cria um novo empresário. Mas desenvolver uma concepção de serviço que apresente modos e formas de gestão, produção, distribuição e marketing diferenciados caracteriza um empreendedor. Um exemplo prático é uma pessoa que percebe carência no serviço de panificação em uma dada região e, diante disso, investe na abertura do estabelecimento para atender a esta demanda. Se o investidor obedecer aos moldes tradicionais de serviços prestados pelas padarias em geral, então temos um empresário e não um empreendedor.

No entanto, se este mesmo investidor desenvolver uma concepção de serviço de panificação que agregue valor comercial, mercadológico e crie uma nova demanda de clientes e consumidores ao setor, então temos um empreendedor.  A iniciativa empresarial inovou o ramo de panificadoras agregando valores novos e inusitados ao ramo de atividade.

As ferramentas do empreendedorismo estão todas ligadas à área de administração e, talvez, a principal seja o plano de negócios. O plano de negócios traz todos os elementos que o empreendedor deve dominar. No entanto, o empreendedorismo exige a inovação e esta não é uma ferramenta, e sim uma habilidade.

Portanto, há três pontos que promovem um empreendedor hoje: conhecimento da ciência Administrativa em todos os seus aspectos; a capacidade de inovação criativa no que diz respeito a todos os detalhes das relações de negócios (business) e, finalmente, uma boa dose de arrojo para promover seu empreendimento, buscar parcerias e conhecimentos necessários e desenvoltura para correr riscos, inerentes a todo processo inovador.

As empresas, cada vez mais, buscam nos colaboradores os traços de empreendedorismo. Quanto mais uma área de negócio ou ramo de atividade torna-se competitivo, maior é a necessidade do gestor motivar equipes e parceiros a criar processos e modos de relacionamento que promovam inovação e diferenciem-se no mercado. Ou seja, a equipe deve sentir-se disposta a reinventar tudo o tempo todo.

Um gestor empreendedor é um incansável curioso e um inquieto em relação à necessidade de novas formas e novos modos, para tudo e qualquer coisa. É um pesquisador em sua área. Assim é que se une gestão, criatividade, empreendedorismo e inovação.

Embora empreendedorismo, inovação e criatividade sejam temas muito discutidos, o  desafio é reorganizar a postura frente à administração tradicional. Ainda hoje, profissionais e processos valorizam manter algo em detrimento da possibilidade do novo. Para incentivar uma gestão empreendedora é preciso inverter esta lógica. A alta cúpula deve estimular e valorizar as inovações responsáveis e viáveis, bem como os profissionais comprometidos com o conhecimento. Empresas como Walmart, Nike e Apple, são alguns exemplos da capacidade de inovar e incentivar este política.

O conhecimento administrativo é a nova tecnologia empreendedora. Hoje, há inúmeras ferramentas de mensuração e acompanhamento de processos de inovação, além de ferramentas e instrumentos administrativos que permitem a correção de rumos mercadológicos. Nem toda inovação é garantia de sucesso. O risco é inerente à inovação. O empreendedorismo exige esta postura inquieta e curiosa em busca do novo e da melhoria de processos e resultados contínuos.

 

Post publicado no Portal Administradores pelo Otávio Augusto.

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